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Cirurgia de Joelho

Entorse do joelho: quais ligamentos podem ser lesionados

Médico palpando o joelho de um paciente durante o exame clínico, com a radiografia exibida no monitor ao fundo
Entorse do joelho: quais ligamentos podem ser lesionados
Resposta rápida

O joelho é estabilizado por vários ligamentos: o cruzado anterior e o cruzado posterior, no centro, os colaterais medial e lateral, nas laterais, e estruturas do canto posterolateral, além da cápsula articular. Uma entorse pode atingir uma ou mais dessas estruturas, e lesões combinadas mudam o plano de tratamento. Muitas lesões isoladas, especialmente do ligamento colateral medial, são conduzidas de forma conservadora. A definição depende do exame clínico correlacionado aos exames de imagem.

"Torci o joelho" é uma das frases mais comuns em consultório de ortopedia — e uma das menos informativas. Torcer significa que a articulação foi forçada além do limite que seus ligamentos suportam. Mas o joelho tem vários ligamentos, e qual deles cedeu muda completamente o que vem depois.

Este texto apresenta um panorama das estruturas que estabilizam o joelho, explica como uma entorse é avaliada e por que lesões combinadas exigem um plano diferente.

As estruturas que seguram o joelho

O joelho não tem um encaixe ósseo profundo que garanta estabilidade. Ele depende de um sistema de contenções, cada uma responsável por resistir a uma direção de força.

  • Ligamento cruzado anterior (LCA) — no centro da articulação, impede o deslizamento da tíbia para a frente e controla a rotação;
  • Ligamento cruzado posterior (LCP) — também central, resiste ao deslocamento da tíbia para trás;
  • Ligamento colateral medial (LCM) — na face interna, resiste a forças que empurram o joelho para dentro;
  • Ligamento colateral lateral (LCL) — na face externa, resiste a forças que abrem o joelho para fora;
  • Estruturas do canto posterolateral — um conjunto na região póstero-externa que participa do controle da rotação e da estabilidade lateral;
  • Cápsula articular — o envoltório que envolve a articulação e contribui para a contenção, especialmente em suas porções mais espessas.

Cada uma dessas estruturas responde a um vetor de força diferente. É por isso que o mecanismo do trauma — a direção em que o joelho foi forçado — dá pistas tão valiosas sobre o que provavelmente foi lesionado.

Como o mecanismo aponta a estrutura

Um golpe na face externa do joelho, empurrando-o para dentro, tende a estressar o colateral medial. Uma torção com o pé fixo e o corpo girando aponta para o cruzado anterior. Um impacto na parte da frente da tíbia com o joelho dobrado — o clássico trauma de painel de carro — sugere o cruzado posterior.

Essas correlações não são regras absolutas, e traumas de maior energia frequentemente atingem mais de uma estrutura ao mesmo tempo. Mas reconstruir o mecanismo na consulta é uma etapa que costuma direcionar bem a investigação.

A pergunta "como aconteceu?" não é conversa introdutória. É parte do exame.

A gravidade também importa

Além de qual ligamento foi atingido, importa o quanto. Uma lesão ligamentar pode variar de um estiramento com fibras alongadas mas contínuas, até uma ruptura parcial, até uma ruptura completa com perda de contenção.

Essa graduação é feita no exame clínico, por meio de testes que aplicam estresse controlado em cada direção e avaliam a resposta da articulação. A ressonância magnética complementa e detalha, mas não substitui essa avaliação — a sensação de contenção só é percebida com as mãos.

Lesões de menor grau tendem a evoluir bem com tratamento conservador. Rupturas completas exigem análise mais cuidadosa, especialmente quando envolvem estruturas centrais ou combinações.

Quando mais de um ligamento é atingido

Esta seção merece atenção especial. Quando uma entorse atinge duas ou mais das estruturas principais, o quadro deixa de ser uma soma de lesões isoladas e passa a ser uma situação distinta, que muda o plano de tratamento e a urgência da avaliação.

Traumas de alta energia — acidentes, quedas de altura, algumas situações esportivas — podem produzir esse cenário. Nesses casos, além das estruturas ligamentares, é necessário verificar a integridade de nervos e vasos que passam próximos à articulação, porque o deslocamento pode comprometê-los.

Por isso, uma torção grave com incapacidade de apoiar o peso, deformidade, inchaço muito rápido ou alteração de sensibilidade e circulação na perna e no pé não deve esperar consulta agendada — é situação de atendimento imediato.

O cruzado posterior: o ligamento menos falado

O ligamento cruzado anterior domina as conversas sobre joelho, mas o cruzado posterior merece um parágrafo próprio — justamente porque sua lesão passa despercebida com mais frequência.

Ele é o mais resistente dos ligamentos centrais e resiste ao deslocamento da tíbia para trás. Sua lesão costuma exigir um trauma específico: um impacto direto na parte da frente da perna com o joelho dobrado. O exemplo clássico é a batida do joelho contra o painel do carro em uma colisão, mas quedas com o joelho flexionado e alguns lances esportivos também produzem esse mecanismo.

O motivo pelo qual essa lesão é subdiagnosticada é que ela costuma produzir sintomas menos dramáticos do que a do cruzado anterior. Muitas vezes não há o estalo característico, a instabilidade é menos evidente no dia a dia e a pessoa consegue caminhar relativamente cedo. O desconforto pode se concentrar na parte de trás do joelho e ser atribuído a uma contusão.

Com o tempo, porém, a perda de contenção posterior altera a distribuição de carga dentro da articulação, o que pode ter consequências para a cartilagem — especialmente em determinadas regiões do joelho.

A avaliação clínica identifica essa lesão por meio de testes específicos que verificam o deslocamento posterior da tíbia. Muitas lesões isoladas do cruzado posterior são conduzidas de forma conservadora, com reabilitação orientada e foco no fortalecimento adequado. Quando há lesões combinadas, o raciocínio muda.

Se você sofreu um trauma direto na frente do joelho e o desconforto persiste, vale mencionar esse mecanismo específico na consulta. Ele direciona o exame.

Lesões capsulares

A cápsula articular costuma receber menos atenção nas conversas sobre entorse, mas participa da contenção. Lesões capsulares podem acompanhar lesões ligamentares e contribuir para a instabilidade, especialmente em determinadas direções.

Elas raramente são o foco isolado do tratamento, mas seu reconhecimento importa no planejamento — sobretudo em quadros de instabilidade que não se explicam apenas pelas lesões ligamentares identificadas.

Quando o tratamento é conservador

Uma parcela relevante das lesões ligamentares do joelho é tratada sem cirurgia, e isso é especialmente verdadeiro para lesões isoladas do colateral medial, que costumam responder bem a um programa conduzido de forma adequada.

O tratamento conservador pode envolver proteção inicial da articulação, controle da dor e do inchaço, uso de dispositivos de suporte conforme orientação, e reabilitação progressiva com foco em amplitude, força e controle do movimento.

A palavra-chave é progressiva. Assim como no cotovelo a imobilização prolongada custa amplitude, no joelho a retomada precoce de carga e giro custa estabilidade. O ritmo é definido pela avaliação, não pela ausência de dor.

Quando a cirurgia entra na discussão

O tratamento cirúrgico é considerado quando a perda de contenção compromete a função de forma relevante, quando há lesões combinadas, quando existe instabilidade persistente apesar da reabilitação, ou quando o perfil de atividade da pessoa exige uma estabilidade que o tratamento conservador não alcançou.

O planejamento depende de quais estruturas foram atingidas e em que grau. Lesões combinadas costumam exigir estratégias mais elaboradas, e a sequência de tratamento de cada estrutura faz parte da decisão — incluindo, em alguns casos, a associação de procedimentos intra e extra-articulares.

O Dr. Bruno Bandeira realiza o tratamento de lesões ligamentares e capsulares do joelho, a reconstrução do ligamento cruzado anterior e a reconstrução ligamentar intra e extra-articular, entre outros procedimentos da região.

Limitações e cuidados

  • Informar à equipe doenças associadas, cirurgias anteriores e alergias;
  • Relatar todos os medicamentos em uso, sem interromper nenhum por conta própria;
  • Comunicar gestação ou suspeita de gestação;
  • Não retomar esporte ou atividade de giro sem liberação médica, mesmo sem dor;
  • Relatar imediatamente qualquer alteração de sensibilidade, força ou circulação na perna e no pé;
  • Levar à consulta os exames e o relatório do atendimento inicial.

Nenhum tratamento garante resultado. Instabilidade residual, dor persistente e limitação em atividades específicas estão entre as possibilidades que devem ser discutidas antes da decisão.

Recuperação e acompanhamento

A recuperação é individual e depende de quais estruturas foram atingidas, do grau da lesão, do tratamento escolhido, das condições clínicas e da resposta à reabilitação. Não existe prazo único, e lesões combinadas costumam exigir processos mais longos e mais estruturados.

O acompanhamento envolve retornos para avaliar a estabilidade e a evolução funcional. A liberação para corrida, esporte de giro e atividades de contato depende de avaliação médica baseada em critérios funcionais.

Avaliação de joelho no Rio de Janeiro

O Dr. Bruno Bandeira é médico ortopedista e traumatologista, com atuação em patologias e cirurgias do joelho. É membro da SBOT.

O atendimento é presencial, no Rio de Janeiro, em unidades na Barra da Tijuca e em Campo Grande. Se você torceu o joelho, recebeu um laudo mencionando lesão ligamentar ou convive com sensação de instabilidade, é possível agendar uma avaliação de joelho no Rio de Janeiro.

Dizer que o joelho torceu é o começo da conversa, não o fim. Qual estrutura cedeu, em que grau, e se foi só uma — essas três respostas definem praticamente tudo que vem depois. Vale procurá-las cedo, em vez de esperar que a dor diminua para concluir que passou.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Ele não substitui a consulta médica, o exame clínico, a indicação de tratamento, o diagnóstico ou a orientação individualizada. Indicações, caminhos de tratamento, cuidados e recuperação variam de pessoa para pessoa. Confirme as orientações com o profissional que acompanha o seu caso.

Perguntas frequentes

O cruzado anterior e o cruzado posterior, no centro da articulação; os colaterais medial e lateral, nas faces interna e externa; e as estruturas do canto posterolateral. A cápsula articular também contribui para a contenção, especialmente em suas porções mais espessas.

A articulação é forçada além do limite que seus ligamentos suportam. Dependendo da direção da força, uma ou mais estruturas podem ser atingidas, com gravidade que varia de estiramento a ruptura completa. O mecanismo do trauma dá pistas importantes sobre o que foi lesionado.

Pelo exame clínico, com testes que aplicam estresse controlado em cada direção e avaliam a resposta da articulação. A ressonância magnética complementa e detalha, mas não substitui essa avaliação, porque a sensação de contenção só é percebida ao exame.

Não. Uma parcela relevante é tratada sem cirurgia, especialmente lesões isoladas do ligamento colateral medial, que costumam responder bem a um programa conduzido adequadamente. A indicação cirúrgica depende do grau, das estruturas atingidas e do perfil de atividade.

É quando uma entorse atinge duas ou mais das estruturas principais. O quadro deixa de ser uma soma de lesões isoladas e passa a exigir um plano distinto. Nesses casos, também é necessário verificar a integridade de nervos e vasos próximos à articulação.

Quando há incapacidade de apoiar o peso, deformidade visível, inchaço muito rápido, dor intensa, joelho travado, sensação de que a articulação se deslocou, ou qualquer alteração de sensibilidade, força ou circulação na perna e no pé. Nessas situações, procure atendimento imediato.

Não. A ausência de dor não indica que a estabilidade foi restaurada, e a retomada precoce de carga e giro é um dos fatores que mais comprometem o resultado. A liberação depende de avaliação médica baseada em critérios funcionais.

O Dr. Bruno Bandeira atende de forma presencial no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca e em Campo Grande. Para solicitar uma avaliação, acesse a página de agendamento do site. Leve os exames e o relatório do atendimento inicial.

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O objetivo da consulta é compreender o seu quadro e discutir, com clareza, as possibilidades de tratamento. Cada caso é avaliado individualmente.

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