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Infiltrações e Tratamento Conservador

Artrose de ombro e joelho: caminhos não cirúrgicos

Médico ortopedista examina o joelho de um paciente sentado na maca do consultório
A avaliação da artrose combina história clínica, exame físico e exames de imagem trazidos pelo paciente.
Resposta rápida

A artrose de ombro e de joelho pode ser conduzida por diferentes caminhos, e boa parte dos casos é acompanhada com medidas que não envolvem cirurgia, como fisioterapia e trabalho muscular orientado, controle de fatores associados, medicações prescritas individualmente, órteses e, quando o diagnóstico e a avaliação individual indicam, a infiltração. A cirurgia existe e entra na discussão quando o conjunto do quadro clínico aponta nessa direção, e não a partir de um laudo isolado. Não há uma via universalmente superior: a escolha depende de consulta, exame clínico, exames de imagem e da decisão compartilhada entre médico e paciente.

A artrose está entre as causas mais frequentes de dor articular persistente, e o ombro e o joelho aparecem com regularidade nas consultas de ortopedia por causa dela. Muita gente chega ao consultório com um laudo de exame na mão e uma pergunta única na cabeça: se existe artrose, o próximo passo é operar?

A resposta honesta é que não existe um caminho único. A artrose é uma condição crônica, com apresentações bastante diferentes de uma pessoa para outra, e boa parte dos casos é conduzida com medidas que não envolvem cirurgia. Ao mesmo tempo, seria incorreto dizer que a cirurgia nunca entra na conversa: ela existe, tem indicações próprias e passa a ser discutida quando o conjunto do quadro clínico aponta nessa direção.

O manejo não cirúrgico da artrose reúne frentes diferentes, e a avaliação em consulta define quais delas fazem sentido em cada caso — inclusive se a cirurgia precisa entrar na conversa. Nada aqui substitui a avaliação individual de um médico que examine você.

O que é artrose

Artrose, também chamada de osteoartrite, é uma condição em que a cartilagem articular — o tecido liso que reveste as extremidades dos ossos dentro de uma articulação — sofre alterações ao longo do tempo. A articulação inteira participa desse processo: o osso subcondral (o osso logo abaixo da cartilagem), a membrana sinovial que reveste a articulação por dentro, a cápsula articular, os ligamentos e a musculatura ao redor.

Por isso a artrose é entendida hoje como uma condição da articulação como um todo, e não apenas como um desgaste de cartilagem. Essa diferença importa na prática, porque explica por que duas pessoas com imagens parecidas podem ter queixas muito distintas, e por que o plano de cuidado raramente se resume a uma única medida isolada.

As queixas mais comuns são dor relacionada ao uso da articulação, rigidez, crepitação e limitação progressiva de movimentos que antes eram feitos sem pensar. A sensação de travamento verdadeiro, com a articulação bloqueando no meio do movimento, merece avaliação à parte: ela aponta com mais frequência para um bloqueio mecânico, como um corpo livre dentro da articulação ou uma lesão de menisco, do que para a artrose em si. Nem todo mundo apresenta todos esses sintomas, e a intensidade varia bastante ao longo do tempo, com períodos de piora e de melhora dentro do mesmo caso.

Artrose do joelho

No joelho, a artrose é a apresentação mais conhecida. Trata-se de uma articulação que sustenta carga em praticamente todas as atividades do dia a dia, o que torna a dor mais evidente em situações como subir e descer escadas, levantar de uma cadeira baixa ou caminhar em terrenos irregulares. O joelho tem três compartimentos, e a artrose pode acometer um deles de forma predominante ou vários ao mesmo tempo.

Fatores como alinhamento dos membros inferiores, lesões prévias de menisco e de ligamentos, fraturas antigas na região, sobrecarga mecânica e peso corporal costumam entrar na avaliação, porque ajudam a entender por que aquela articulação chegou àquele ponto — e o que ainda pode ser trabalhado.

Artrose do ombro

No ombro, a artrose é menos comentada, mas não é rara. Como o ombro não é uma articulação de carga no mesmo sentido que o joelho, a queixa aparece de outra forma: dificuldade para elevar o braço, para alcançar objetos acima da cabeça, para vestir uma camisa ou levar a mão às costas, além de dor que pode incomodar à noite.

O ombro reúne mais de uma articulação, e a expressão artrose do ombro cobre situações distintas. A artrose glenoumeral, entre a cabeça do úmero e a glenoide, e a artrose acromioclavicular, entre a extremidade da clavícula e o acrômio, têm apresentação e conduta diferentes — a acromioclavicular, inclusive, aparece com frequência em exames de imagem de pessoas sem queixa naquela região.

Uma particularidade importante do ombro é a relação com o manguito rotador — quatro músculos e seus tendões, que envolvem a cabeça do úmero e participam da estabilização e do movimento da articulação. Quadros de artrose do ombro podem coexistir com alterações desses tendões, e essa combinação muda bastante a forma como o caso é discutido. É um dos motivos pelos quais o exame clínico não pode ser dispensado.

Quando uma avaliação em ortopedia pode ser considerada

Não existe um sinal isolado que, sozinho, defina que alguém tem artrose ou que precise de um procedimento. O que costuma justificar uma consulta é a persistência do incômodo e o impacto dele na rotina. Alguns exemplos de situações que levam as pessoas a procurar avaliação:

  • Dor no joelho ou no ombro que se repete há bastante tempo e persiste mesmo com redução das atividades.
  • Rigidez articular ao acordar ou depois de ficar muito tempo na mesma posição.
  • Dificuldade crescente para realizar tarefas que antes eram automáticas, como subir escadas, agachar, dirigir ou alcançar objetos altos.
  • Sensação de instabilidade, falseio ou travamento durante o movimento.
  • Inchaço recorrente na articulação.
  • Dor que atrapalha o sono ou que muda a forma como a pessoa se movimenta ao longo do dia.
  • Um exame de imagem feito por outro motivo que trouxe a palavra artrose no laudo e gerou dúvidas.

Nenhum desses itens é, por si só, sinônimo de artrose. Dor no joelho pode ter várias origens, e o mesmo vale para o ombro. A função da consulta é organizar essas informações e chegar a uma hipótese sustentada pelo conjunto.

Como o caso é avaliado em consulta

A avaliação começa pela história clínica. Quando a dor começou, o que a piora e o que a alivia, se houve trauma ou cirurgia prévia naquela articulação, quais atividades ficaram limitadas, se existem outras condições de saúde envolvidas e o que já foi tentado antes. Essa parte, que às vezes parece burocrática, direciona boa parte do raciocínio.

Depois vem o exame físico. No joelho, isso envolve observar a marcha, o alinhamento, a presença de derrame articular, a amplitude de movimento, a estabilidade ligamentar e os pontos de dor à palpação. No ombro, a avaliação inclui amplitude ativa e passiva, força, testes específicos para o manguito rotador e para outras estruturas, e a comparação com o lado oposto.

Os exames de imagem entram como complemento. A radiografia é o exame inicial na maioria dos casos de suspeita de artrose, porque mostra o espaço articular, o alinhamento e alterações ósseas. Quando resta dúvida sobre estruturas específicas, cada método tem seu terreno: a ressonância magnética estuda menisco, ligamentos cruzados e cartilagem; a ultrassonografia se presta a tendões superficiais e ao exame dinâmico, com uso mais direto no ombro; e a tomografia detalha a anatomia óssea. Esses exames são realizados em serviços de diagnóstico por imagem e trazidos para análise em consulta.

Um achado de imagem isolado não fecha diagnóstico nem define conduta. O laudo descreve a articulação; quem descreve o problema é a pessoa, e é a soma dos dois que orienta a decisão.

É comum encontrar alterações compatíveis com artrose em exames de pessoas com pouca ou nenhuma queixa, assim como encontrar dor importante em quadros cujas imagens parecem discretas. Por isso a conduta é construída a partir do conjunto: história, exame físico, imagem e, principalmente, o que aquela limitação representa na vida daquela pessoa.

Quais caminhos não cirúrgicos podem ser considerados

O manejo não cirúrgico da artrose reúne várias frentes que caminham juntas, e não uma medida única. A combinação muda conforme a articulação envolvida, o estágio do quadro, as condições de saúde e os objetivos que a pessoa traz para a consulta. Esse conjunto é o que se chama de tratamento conservador em ortopedia, e ele é uma etapa legítima do cuidado, não uma espera passiva.

Educação sobre a condição e ajustes na rotina

Entender o que é a artrose, o que piora os sintomas naquela pessoa e como organizar as atividades ao longo do dia faz parte do cuidado. Ajustes na forma de realizar tarefas, no tipo de atividade e na distribuição de esforços são discutidos caso a caso, considerando a rotina de cada um.

Fisioterapia e trabalho muscular orientado

O fortalecimento e o condicionamento da musculatura que envolve a articulação são temas centrais na conversa sobre artrose, tanto no joelho quanto no ombro. Esse trabalho é conduzido por profissional habilitado, com programa definido caso a caso a partir da avaliação. Não existe um roteiro genérico que sirva para todos, e é por isso que nenhum exercício deve ser adotado a partir de um texto na internet.

Controle de fatores associados

Peso corporal, condicionamento geral e outras condições clínicas são abordados em conjunto com o cuidado ortopédico, muitas vezes com participação de outros profissionais de saúde. No joelho, esse ponto costuma ganhar destaque pela relação direta com a carga sobre a articulação.

Medicações, quando indicadas

O uso de medicações pode fazer parte do plano, sempre com prescrição individual feita por um médico que conheça o caso e as demais condições de saúde da pessoa. Nenhuma orientação sobre medicamento deve ser tirada de conteúdo informativo, e mudanças em medicações em uso precisam ser conversadas com o profissional que acompanha o caso.

Órteses e recursos de apoio

Dispositivos de apoio e órteses podem ser considerados em situações específicas, sempre com indicação individual. Como qualquer outro recurso, servem a alguns casos e não a outros, e a escolha depende da avaliação.

Infiltração como possibilidade

A infiltração é uma possibilidade que pode ser considerada dentro do manejo da artrose, e a indicação depende do diagnóstico e de avaliação individual, com exame clínico e análise dos exames de imagem. Não é uma medida automática, e a decisão de considerá-la ou não faz parte da conversa entre médico e paciente. O raciocínio que sustenta essa indicação está detalhado em como a indicação de infiltração é avaliada em ortopedia.

Quando a cirurgia entra na discussão

Falar de manejo não cirúrgico não significa afirmar que a cirurgia é desnecessária ou que é sempre um último recurso. Significa reconhecer que existem vias diferentes e que nenhuma delas é universalmente superior. A cirurgia entra na discussão quando o quadro clínico, e não apenas a imagem, aponta que ela pode ser a alternativa mais adequada para aquela pessoa naquele momento.

Entre os procedimentos relacionados à artrose dessas articulações estão as artroplastias, as chamadas próteses. No joelho, além da artroplastia total, existe a artroplastia parcial, também chamada de unicompartimental, considerada em casos selecionados nos quais o acometimento predomina em um dos compartimentos. No ombro, há mais de um tipo de prótese — a anatômica e a reversa —, e a escolha entre elas leva em conta, entre outros fatores, o estado do manguito rotador; qual delas cabe em cada caso é definido na avaliação. Existem ainda as osteotomias ao redor do joelho, em que o raciocínio envolve desalinhamento com acometimento predominante de um compartimento, geralmente em pessoa mais jovem e ativa.

A artroscopia do joelho e a artroscopia do ombro têm indicações próprias e se dirigem a um problema específico associado — um corpo livre que trava a articulação, por exemplo —, e não ao desgaste articular em si. A chamada raspagem, ou limpeza do joelho, não é conduta indicada para tratar a artrose.

O que pesa nessa conversa é o conjunto: intensidade e persistência dos sintomas, grau de limitação funcional, resposta às medidas já adotadas, achados do exame físico, alterações estruturais observadas nos exames, idade, demanda de atividade, expectativas e outras condições de saúde. Cada procedimento tem indicações, riscos e limitações que precisam ser explicados de forma clara antes de qualquer decisão.

Nem todo caso de artrose tem indicação cirúrgica, e a decisão é compartilhada. O papel do médico é apresentar o cenário com honestidade, incluindo o que não se pode prever, e o papel da pessoa é trazer o que espera da própria rotina. É desse encontro que sai uma decisão bem construída, nunca de um laudo lido isoladamente ou de uma recomendação encontrada na internet.

Acompanhamento ao longo do tempo

Artrose é uma condição crônica, o que significa que o cuidado tende a ser contínuo em vez de pontual. Reavaliações permitem verificar como o quadro está se comportando, se os objetivos combinados estão sendo atingidos, se algo precisa ser ajustado e se novos elementos apareceram na história.

O plano também não é fixo: um caminho que fazia sentido em determinado momento pode deixar de fazer, e o contrário também é verdadeiro. Reavaliar é parte do método de acompanhar uma condição que muda.

Quando existe procedimento cirúrgico envolvido, o acompanhamento no pós-operatório e a reabilitação seguem orientação individual, definida pela equipe que conduz o caso. Cuidados, etapas e ritmo variam de pessoa para pessoa e são combinados diretamente em consulta.

Atendimento em ortopedia no Rio de Janeiro

O Dr. Bruno Bandeira, médico ortopedista e traumatologista, atende presencialmente no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca e em Campo Grande, na Zona Oeste. É graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina Souza Marques (2010), fez residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis (RJ), e especialização em Cirurgia de Ombro e Cotovelo pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), em período integral, em 2015.

É membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC). Sua prática inclui atuação em patologias e cirurgias do ombro e do cotovelo e atuação em patologias e cirurgias do joelho.

As consultas são presenciais, nas unidades da Barra da Tijuca e de Campo Grande. Para uma avaliação de dor no ombro ou no joelho, é possível agendar uma consulta em ortopedia no Rio de Janeiro.

Para levar da leitura

Receber a informação de que existe artrose costuma provocar duas reações opostas: a de quem imagina que só resta operar e a de quem decide ignorar o assunto. Nenhuma das duas ajuda muito. Entre esses extremos existe um espaço amplo de decisões possíveis, e ele é construído com informação, exame e conversa.

A parte mais útil de uma consulta sobre artrose costuma não ser a definição imediata de um procedimento, e sim o entendimento do que está acontecendo naquela articulação, do que pode ser trabalhado e do que precisa ser acompanhado. A partir daí, cada passo faz sentido dentro de um plano.

Se a dor no ombro ou no joelho vem limitando o que você faz, vale levar essa história e os exames que já possui para uma avaliação presencial. É no encontro entre o que você relata, o que se observa no exame físico e o que os exames de imagem mostram que uma conduta pode ser construída para o seu caso.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Ele não substitui a consulta médica, o exame clínico, a indicação de tratamento, o diagnóstico ou a orientação individualizada. Indicações, caminhos de tratamento, cuidados e recuperação variam de pessoa para pessoa. Confirme as orientações com o profissional que acompanha o seu caso.

Perguntas frequentes

Artrose, também chamada de osteoartrite, é uma condição crônica em que a cartilagem que reveste as extremidades dos ossos dentro da articulação sofre alterações ao longo do tempo. A articulação inteira participa desse processo, incluindo o osso abaixo da cartilagem, a membrana sinovial, a cápsula, os ligamentos e a musculatura ao redor. Por isso ela é entendida como uma condição da articulação como um todo, e não apenas como desgaste de cartilagem.

Não. Nem todo caso de artrose tem indicação cirúrgica, e boa parte dos quadros é acompanhada com medidas que não envolvem cirurgia. A definição depende de consulta, exame clínico, exames de imagem e da avaliação individual. A decisão é construída de forma compartilhada entre médico e paciente.

Entre as frentes que costumam ser discutidas estão a educação sobre a condição e ajustes na rotina, a fisioterapia e o trabalho muscular conduzido por profissional habilitado, o controle de fatores associados como o peso corporal, o uso de medicações com prescrição individual, órteses e recursos de apoio e, quando o diagnóstico e a avaliação individual indicam, a infiltração. A combinação varia conforme a articulação envolvida e o quadro de cada pessoa. Nenhuma dessas medidas deve ser adotada por conta própria.

Não. Um achado de imagem isolado não fecha diagnóstico nem define conduta. É comum encontrar alterações compatíveis com artrose em exames de pessoas com pouca ou nenhuma queixa, assim como encontrar dor importante em quadros cujas imagens parecem discretas. O raciocínio se apoia no conjunto de história clínica, exame físico e exames.

As artroplastias passam a ser discutidas quando o conjunto do quadro clínico, e não apenas a imagem, aponta que essa pode ser a alternativa mais adequada naquele momento. No joelho existem a artroplastia total e a parcial, e no ombro há mais de um tipo de prótese, com a escolha definida na avaliação. Pesam nessa conversa a intensidade e a persistência dos sintomas, o grau de limitação funcional, a resposta às medidas já adotadas, os achados do exame físico e outras condições de saúde. Cada procedimento tem indicações, riscos e limitações que precisam ser explicados antes de qualquer decisão.

A consulta começa pela história clínica, com atenção ao início da dor, ao que a piora e a alivia, a traumas ou cirurgias prévias e às atividades que ficaram limitadas. Em seguida vem o exame físico, que no joelho avalia marcha, alinhamento, amplitude de movimento e estabilidade, e no ombro inclui amplitude ativa e passiva, força e testes específicos. Os exames de imagem entram como complemento e são analisados junto com o restante das informações.

O agendamento de consulta presencial pode ser feito pela página de agendamento do site, em https://drbrunoortopedista.com.br/agendamento. O atendimento acontece na Barra da Tijuca e em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A confirmação de data e horário depende da agenda disponível no momento da solicitação. Leve os exames de imagem que já possui para a avaliação.

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O objetivo da consulta é compreender o seu quadro e discutir, com clareza, as possibilidades de tratamento. Cada caso é avaliado individualmente.

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